Reasoning-driven e a Inteligência Artificial a partir das informações

Durante muitos anos, nas diversas ciências da computação e suas derivadas, um grande esforço em transformar dados em informações foi dispendido. Entretanto, hoje vemos justamente o contrário, e um grande foco em dados, com a informação sem a mesma relevância.

Mas, se por um lado vivemos esse paradoxo, a tecnologia continua um campo aberto para ser aplicado pelas organizações, e a escolha inteligente das estratégias e de táticas são ainda mais dependentes das informações.

Apesar disso, o lugar comum que vemos hoje é o dos times buscando aplicações para as tecnologias, cada vez mais complexas, principalmente devido à lógica do contexto inicial, que é o foco em modelos e orientação aos dados.

Na prática, e no meu entender, essa é a maior prova que de fato a onda atual de IA não é no campo de arquitetura cognitiva, mas principalmente no de representação de informações, e, portanto, ainda totalmente dependente das escolhas e julgamentos das pessoas em termos de tecnologia da informação.

Por exemplo, no tratamento de informações no Mercado de Capitais, pode-se aplicar uma lógica [1] de que quando o estado do mundo é rico e o conjunto de mensagens que podem ser enviadas é grande, pode-se esperar uma comunicação complexa entre os diversos agentes, mas, no mundo real, muitos investidores costumam confiar em informações verificáveis que são muito pouco confiáveis.

Em tese, são muitos os exemplos nos mais variados mercados, pois existe uma grande complexidade no entendimento de arquitetura corporativa do potencial de dados e informações, não apenas para produzir inteligência, como no passado, mas para criar sistemas autônomos com qualidade para complementar as atividades das pessoas, nos mais variados níveis e áreas de conhecimento.

Penso que no nosso país, infelizmente, temos um problema ainda mais sério, pois estamos atrasados em maturidade de arquitetura corporativa e, ainda mais, na relevância da informação para a IA. Nesse sentido, considero razoável crer que só acontecerá de fato uma mudança e visão que gere resultados de longo prazo para as nossas organizações — além de entregar sua tecnologia para outros países como de praxe — quando ocorrer de fato a valorização da proteção intelectual, pois é evidente que a perspectiva de segurança e investimento em patentes, muito mais que tecnologia diretamente, estimula o progresso tecnológico e aumenta a produtividade e o retorno de investimento [2].

Seja como for, mesmo sem proteções nesse sentido, no mínimo estar aberto ao potencial das informações para a IA, como muito mais relevantes que o que se pode perceber a partir das estratégias data-driven, pode ser o começo de uma mudança de mentalidade e valorização de investimento em tecnologia em longo prazo, que nos leve a competir também no complexo e altamente valorizado campo das estratégias de reasoning-driven, tão distantes de nossa realidade.

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Por Rogerio Figurelli em 27/12/2020
Senior IT Architect & Solutions Consultant
https://www.linkedin.com/in/figurelli/

Referências:

[1] Essays In Information Economics, Denis Shishkin – https://economics.mit.edu/files/19768

[2] Flowers of Invention: Patent Protection and Productivity Growth in US Agriculture, Jacob Moscona – http://economics.mit.edu/files/18687