Muitos dados, pouca inteligência

Inteligência é uma palavra complexa de ser definida, e não por menos o saudoso professor Marvin Minsky, do MIT, definiu ela como uma “suitcase word”, onde na verdade cabem as mais variadas definições. Mesmo Alan Turing, o gênio da computação, em seu artigo seminal sobre inteligência artificial, não utilizou essa palavra e muito menos arriscou entrar nessa polêmica, definindo apenas o efeito de as máquinas terem a capacidade de “pensarem”.

Pessoalmente, gosto de relacionar a inteligência a todo e qualquer resultado que não tenha sido produzido pelo acaso, ou pelo aleatório. Acredito que — de forma muito otimista — grande parte, se não a totalidade desse “suitcase”, entra de alguma forma ou outra nessa definição, e portanto elenquei ela buscando endereçar essa lógica inteligente de Minsky.

E, na prática, quando não conseguimos encontrar uma lógica que explique a relação de causa e efeito de forma inteligente, é natural associarmos o acaso a nossa explicação. Mas penso que essa lógica siga níveis em escala infinita, e portanto, o que para uns é obra do aleatório, para outros, em níveis mais elevados de inteligência, os efeitos visualizados são apenas um resultado de leis conhecidas e dominadas.

Seja como for, e mesmo sem um consenso, o que mais percebo no mercado, principalmente nacional, é o esforço máximo em dados para suportar a abordagem de decisões data-driven, e, infelizmente, mínimo, em inteligência, para suportar a abordagem de decisões reasoning-driven.

Mas a verdade é que, se nosso país não tiver capacidade de excelência além do data-driven, estará cada vez mais para trás dos países que cada vez mais reforçam seu potencial de reasoning-driven.

Penso que isso não é muito diferente de ter capacidade de extrair petróleo — tão usado como paradigma de comparação dos times de data-driven –, mas quase nenhuma de produzir seus derivados mais nobres, como o querosene de aviação.

E, na prática, podemos considerar que esperar pelo retorno de investimento em dados, sem investimento proporcional em inteligência, é o mesmo que esperar retorno diferenciado, em qualquer commoditie de mercado, ainda mais no cenário atual, de alta competição internacional de Inteligência Artificial.

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Por Rogerio Figurelli em 13/12/2020
Senior IT Architect & Solutions Consultant
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